sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Da intimidade que vem com o horário político...

Dai que eu acho errado alguém se candidatar com algum título ou apelido. Quem é o Zezinho, ou a Mulher Arbusto? O João do Armazém ou a Maria da Banca de Jornal? O Pastor A, ou o Padre B?

Pra quem já viu o horário político de São Paulo (que é o mesmo divertimento do do Rio, só que com personagens diferentes...), com certeza já viu a campanha do Tiririca (ou viu no YouTube), na qual ele tem que explicar que a foto da Urna Eletrônica vai ser diferente de como estamos acostumados à vê-lo. Algum colega marketeiro pensou nisso e deu o toque, 'olha, vão achar que não é você'. E é verdade, a figura do Tiririca vende muito mais de que Francisco Everardo (sim, ele tem página na Wikipedia), e a probabilidade de alguém votar nele pelo nome verdadeiro dele, é quase nula. Motivos? Os votos claramente não vêm pelo que ele é capaz de fazer, e sim por quem ele é (ou atua sendo). Sem a caracterização, não há o candidato. Me pergunto se ele pretende ir a Brasília vestido como tal...

Me pergunto também se a Mulher Arbusto ou o Seu Clebinho, ou qualquer outro, vai ser chamado assim durante as sessões em brasília. 'Senhor Zé do Gás, por favor dê sua opinião...'

Sim, claro, o 'nome fictício' gera a identificação daqueles que o conhecem, e o aproximam do público que pretende votar neles. Já diziam em 1930 que para alcançar o público que o apoiará, deve-se comunicar com o mesmo palavreado dele. É assim que Lula é presidente, mas essa é outra história (nada contra ele, juro, votei e votaria agora!).

A questão é, não me é relevante se o dito cujo é professor, ou é da religião a ou b, ou se ele vende panelas ou escadas. A proposta é o que vale, independente de qualquer um destes. Quem quer que seja eleito, deve não somente defender os professores, ou os vendedores de palha de aço, ou os da mesma religião ou da mesma comunidade. Deve representar e defender a TODOS nós. Que cuide dos seus, sim, mas cuide dos demais, uma vez que somos todos iguais ao final do dia.

Voltando ao assunto, bem ou mal, a posição de deputado requer um certo decoro. Não, não que alguém que não nasceu de terno não o possa ser. Pelo contrário, deputado vem de deputar, que é levar uma missão perante os principais, sendo assim os representantes do povo. Mas quem ouve e leva à sério alguém que se veste de palhaço, ou apita uma buzina na TV, ou se autoproclama o João do Caminhão?

Resta o consolo do slogan do Tiririca. Pior do que tá, não fica.

++ Todos os nomes citados (exceto o do Tiririca, claro) são fictícios (ou deveriam ser). Infelizmente sei que a probabilidade desses nomes estarem sendo usados em eleições por ai são grandes, mas com certeza, não é nada pessoal.

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